Concordo com a falência do sistema das ONGs da forma que elas existem hoje, por diversas razões, dependência de capital externo, “rabo preso”, tendenciosidade dos mandantes, entre outros. Até por que as ONGs que não dependem do governo dependem de grandes empresas, que utilizam a capitalização para influenciá-las. As descapitalizadas não têm poder político e financeiro para gerar mudança, ainda.
Com isso tendemos a buscar soluções, pois se ONGs são fortemente influenciadas por grandes empresas ou grandes governos quem poderá nos defender? (silêncio durante vários segundos e o Chapolin não aparece)
empresas sociais são comumente indicadas como solução para o problema e para mim isso é no mínimo forçar uma barra. Apontar que empresas sociais são a solução pois buscam resolver um problema e visam terem um lucro que as sustente não resolve sequer boa parte da questão maior.
E qual é essa questão? Podemos ser éticos em uma sociedade de consumo? Buscar produtos que atendam os mais pobres garante que a empresa fará o melhor pelo meio ambiente a ponto de descontinuar um produto que agrida o meio ambiente? Garante que não haverá corrupçãona busca por mercados e na busca por vantagens pessoais? Garante que preencherá o vazio existencial atual causado por esse excesso de consumo? Garante que os direitos humanos serão respeitados da Mongólia ao Gabão? Garante que a comunicação será correta, mesmo que isso signifique perder parte do seu mercado? Garante que as comunidades impactadas no entorno serão respeitadas e ouvidas? Elas terão influência no processo ou em um empreendimento? Toda empresa social terá práticas trabalhistas justas de acordo com as que são praticadas em seu país natal? As pessoas estão preparadas para consumir um produto mais caro por conta de um processo socialmente e ambientalmente responsável?
Temos um problema no capitalismo em si, que empresa social não resolve. Somente saberemos o tamanho do problema quando alguma empresa social tiver escala para resolver o problema, e aí vai depender sempre de quem estiver no comando da empresa social, como é hoje com as empresas comuns. Ser social não é a solução do problema, trabalho no mercado e vejo que o problema está bem acima disso.
Acredito que as atuais ONGs serão substituídas por grupos de pessoas que agem “protegendo” determinado assunto, seja ele ética, água, uso do solo, investimentos públicos, transparência, entre outras questões de interesse da sociedade e que exige um ator organizado para balancear com o poder das empresas (sociais ou não) e do governo.
A mudança parte das pessoas, vender empresas sociais como a solução dos problemas é mais uma vez terceirizar a responsabilidade da questão. Repitam comigo, empresas são feitas de pessoas! E enquanto forem feitas de pessoas serão um reflexo da sociedade e de seus desejos e demandas.
