Categoria: Responsabilidade Pessoal


Replicando importante mensagem da organização Meu Rio, em http://meurio.org.br/na_atividade/1/assine_embaixo/transparencia-nas-obras-do-maracana .

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Nesta terça-feira, dia 

 27 de Setembro, a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro poderá aprovar um Projeto de Lei que autoriza o Governo do Estado a contrair uma dívida de mais de 220 milhões de Reais (120 milhões de Dólares) para cobrir os sucessivos aumentos do orçamento das obras do Maracanã. Enquanto isso, as obras, que hoje estão orçadas em quase 1 bilhão de Reais, prosseguem sem que documentos que explicam o uso de tais recursos sejam divulgados. Ou seja: nossos governantes querem contrair uma dívida em nosso nome e com nossos recursos sem que a gente saiba em detalhes qual será o destino do dinheiro obtido. Nós temos poucos dias para dar um basta à falta de transparência nas obras públicas.

O Maracanã, como todos sabem, simboliza muito mais para os cariocas do que um simples estádio. No seu campo nós vimos a história do futebol brasileiro acontecer. Da geral e das arquibancadas lotadas, nós comemoramos, choramos, cantamos, sofremos e vibramos. Juntos. O Estádio Jornalista Mário Filho é um monumento à democracia do nosso futebol, uma construção incorporada à paisagem da cidade e um patrimônio tombado pelo IPHAN. Neste exato momento, o nosso Maracanã está sofrendo alterações irreversíveis em um processo nada transparente. Tudo está acontecendo muito rápido, com pouca abertura para a sociedade. A principal preocupação parecer ser a de entregar, no prazo, uma “Nova Arena da FIFA” e não um “Estádio dos Cariocas”, como o Maracanã sempre foi.

O plano inicial era que a reforma do Maracanã fosse feita através de uma parceria público-privado (PPP). Porém, o Governo do Estado e o BNDES estão arcando com todos os custos da reforma, investindo dinheiro dos cariocas em um estádio que passará para a iniciativa privada após a Copa de 2014. Pois é, esse é o seu dinheiro que está sendo investindo em um projeto no qual você não foi devidamente consultado e onde não houve transparência de gastos.

Parece piada mas é um cenário que vem se repetindo em muitos outros projetos de infraestrutura pela cidade. Por isso a quantidade de assinaturas desta petição é tão importante. Se muitas pessoas aderirem a essa campanha podemos criar jurisprudência para casos semelhantes, deixando claro que os cariocas não vão dar mole com a falta de transparência.

O Maracanã é seu, é meu, é nosso e de mais ninguém! Nós cariocas precisamos discutir o passado, o presente e o futuro do Maracanã. Você tem o direito de dizer que Maracanã você quer, mas isso só é possível com um processo transparente. O primeiro passo é exigirmos a liberação de todos os documentos públicos referentes à reforma e que estão sendo privados de quem está realmente bancando as obras. Precisamos mostrar nossa indignação ao Governo do Estado e à ALERJ e exigir que os investimentos no espaço público sejam feitos com transparência e participação. E que fique claro: pisou no Maracanã, mexeu com o Carioca. Porque o Maraca é nosso!

Confira a lista completa dos documentos que queremos ver publicados em nosso Blog

Este post foi motivado pela profunda insônia que me causou ler os comentários no twitter sobre o trabalho escravo contratado de forma terceirizada pela empresa Zara (uma C&A melhorada europeia, que pela carga tributária chegou a preços exorbitantes no Brasil, fez sucesso e foi ficando, com um posicionamento diferenciado do posicionamento  Europeu, por exemplo).

Se você me acompanha por aqui sabe que sou contra as marchas pela paz, o protesto com velas e xingar muito no twitter no melhor estilo daquela banda emo que esqueci o nome (Graças a Deus).

Bem, o que vou propor agora é exatamente isso, fique no seu sofá.

Para quem não é familiarizado com o assunto de gestão de riscos nas empresas vou fazer breve resumo:

Experiências passadas, com sua possível consequência e probabilidade são levantadas para saber o grau de um risco. Exemplo: Se uma empresa do ramo da moda foi denunciada no passado em rede nacional com programa de duração de duas horas e sofreu um boicote com impacto em suas vendas esse fato passado vai influenciar planejamentos no futuro aumentando a probabilidade do risco “ser denunciado por uso de trabalho escravo na sua rede de fornecedores”. E se o impacto foi grande a coluna consequência também será marcada com mais peso na decisão. A relação entre probabilidade e consequência vai indicar as ações a serem tomadas em relação àquele risco.

Ou seja, se houver uma reação da sociedade nesse momento que vá além do “xingar muito no twitter” que reverta em NÃO comprar roupas da digníssima loja durante um período pode SIM viabilizar valorosas ações no futuro, como o controle sobre a cadeia de fornecedores.

Esse problema é um algo que atinge praticamente todas as empresas que produzem em cadeias fracas, rurais ou desvalorizadas. Porém, o problema só existe pela razão de não existir a preocupação devida com ele, qualquer argumentação contra isso é falácia.

As empresas não fiscalizam pois não valorizam a função do fiscal de contratos, o consideram como custo e, dessa forma, não dão a devida atenção para o assunto. Porém, havendo uma movimentação da sociedade em relação a isso.

O caso mais famoso nesse sentido foi o da Nike, que foi boicotada na Europa em um caso que exime maiores explicações, se não conhece digita “nike trabalho infantil” no google e divirta-se.

Porém, empresas que vendem ao consumidor final são diretamente impactadas por suas imagens, pois:

  • As estrelas que geralmente fazem os comerciais dessas empresas não aceitam vincular suas imagens  a empresas que utilizam mão de obra escrava/infantil/forçada, dessa forma a marca perde força no mercado.
  • Alguns consumidores mais conscientes pesquisam um mínimo antes de comprar uma roupa, e não as compram se não concordam com as ações da empresa.
  • O que é vendido na verdade é a imagem da empresa, já que a calça em si custa R$ 7,00 e por mais impostos e custos logísticos que incidam, dificilmente alguém provará que cobrar pela mesma calça R$ 200,00 é um valor “justo”. A diferença dos R$ 193,00 que você compra é o prazer de ter aquela calça e a imagem vinculada à sociedade, e não conheço nenhum nazista com prazer em demonstrar que está comprando trabalho escravo.

Os últimos conceitos que vou explicar são os de responsabilidade solidária e responsabilidade subsidiária. Em resumo, responsabilidade solidária é quando sua responsabilidade é a mesma da empresa contratada, isso acontece quando ela é sua fornecedora exclusiva, atende dentro dos seus domínios e em alguns outros casos. Já a responsabilidade subsidiária é quando sua responsabilidade é posterior à da empresa que se está contratando, ou seja, se ela não cumprir com algo você é responsabilizado, isso ocorre quando a empresa presta serviços a você. De uma forma ou de outra, você tem responsabilidade sobre sua cadeia de fornecedor, juridicamente falando. (Advogados, perdoem a tentativa de resumir, sei que não é a praia de vocês)

Uma empresa pode ser cúmplice de várias formas, silenciosa, quando você sabe e não fala, omissa, quando você poderia saber e é sua responsabilidade saber, mas você não faz questão de fiscalizar ou vantajosa, quando você leva vantagem de custo, por utilizar mão de obra escrava na sua cadeia de fornecedores, por exemplo.

Então minha proposta é, fique no seu sofá, não fazendo nada você já estará fazendo muita coisa. Mas se você resolver sair e comprar vai ficar feliz com sua roupa, mas talvez esteja fazendo outras pessoas bem tristes. Não boicote a Zara, boicote qualquer empresa que seja provada cúmplice com trabalho escravo e coloque-se no lugar daqueles que lá sofrem e se você quer fazer parte disso.

Dessa forma, se você quer continuar comprando, ok, mas não diga que continua comprando pois isso não vai mudar nada pois esse argumento simplesmente não é verdadeiro. E sim, muitas empresas tiram proveito disso, mas se você não fizer nada elas continuarão tirando proveito. E como eu jáargumentei aqui, você pode mudar e é responsabilidade das empresas ter atenção sobre sua cadeia de fornecedores.

Algo sempre me incomodou foi a nossa soberba e a crença que temos a certeza absoluta de todas as soluções  sobre os problemas do mundo.

 

O tópico hoje é a África.

 

Tive a oportunidade de conhecer parte do continente,  conhecendo seu país com maior renda per capita (Ilhas Maurício) e a África do Sul, o país mais desenvolvido, tendo ido somente a Joanesburgo e Pilanesberg, como turista. Falei um pouco sobre isso aqui, no post Impressões africanas. Então levem em consideração que conheci somente a África “rica”.

 

Sou um apaixonado pela história africana, acreditando que ela tem muito a nos ensinar, ao contrário do que prega “nossa” cultura colonizadora (sim, pois a absorvemos, apesar de termos sido colônia).  A África, ao tentar viver como os Europeus, se dividiu e causou auto-destruição como poucas vezes foi visto na história da humanidade.

 

E aí chegaram os colonizadores, assim como os jesuítas resolveram o “problema da religião”, para “resolver o problema da fome”, ainda que esse problema tenha sido causado por eles próprios ao colonizarem e dividirem o continente. Essa emocionante palestra feita no TED agora em 2011, mês passado, ending hunger now (algo como acabando com a fome agora), nos dá a doce ilusão que podemos acabar com o problema. Quem acompanha meu blog sabe que sou fã do TED, tendo inclusive organizado um evento TEDx de forma independente, o TEDxSudeste, e minha admiração pelo evento. Não vou considerar a palestra inteira uma bola fora, estou somente fazendo uma reflexão crítica. Antes, porém, gostaria de elogiar o vídeo e a ideia pela excelente apresentação e pelos dados apresentados, que podem dar viabilidade a políticas de verdade. Outro ponto forte é o fato de já ter “abandonado” 30 países que agora conseguem ser autossustentáveis.

 

Porém, ao ler os comentários sobre como os indivíduos podem ajudar no combate à fome podem ser vistos alguns africanos indicando que a solução da fome está longe de ser a ONU (até pela razão da ONU estar na África há algumas décadas). Alguns aceitam a ajuda de “curto prazo”, mas culpam o governo, outros, mais radicais defendem o fim das doações de alimentos e pedem lobby e pressões externas sobre governos totalitaristas. No meu ver faltam políticas efetivas nesse sentido, onde a manutenção de governantes pode significar importação de diamantes a baixo custo, petróleo com condições subhumanas de produção e acesso a outros minérios com preço baixo.

 

O que talvez nós não nos demos conta é que legitimamos estes governos de vários países africanos ao realizar tais doações, pois a pressão interna é menor se as pessoas tiverem o que comer. Não vou entrar bem no mérito se podemos ou não resolver o problema da fome, olhando do ponto de vista micro, vemos que as doações funcionam, mas sob um olhar macro vemos que ela pode causar mais mazelas que soluções. Há correntes africanas fortes nesse sentido, as quais ainda não tive oportunidade de ler, mas da qual a autora Dambisa Moyo, autora do livro Dead Aid é um estandarte.

 

Para reflexão, as doações ao continente aumentaram 200% de 2000 a 2007, chegando a quase 40 bi em 2007, comparem esse valor ao valor citado no vídeo acima como sendo necessário para acabar com a fome e lembrem que o número de quase 40 bi é de 2007.

 

Mas parece que o TED não ouviu o próprio TED, no talk o perigo da história única, uma nigeriana dá uma bela palestra sobre considerar outros pontos de vista, além do grupo crítico que compõe os comentários e da abertura a outras opiniões.Essa é a razão de eu gostar tanto do TED.

Pessoal, replico aqui e-mail do avaaz na campanha pela liberdade na internet.

 

A pressão está funcionando! A pressão popular forçou o Congresso a adiar a votação — vamos dobrar o nosso chamado. Encaminhe a mensagem para todos!

Caros amigos de todo o Brasil,

Na semana que vem, o Congresso poderá votar um projeto de lei que restringiria radicalmente a liberdade da internet no Brasil, criminalizando atividades on-line cotidianas tais como compartilhar músicas e restringir práticas essenciais para blogs. Temos apenas seis dias para barrar a votação.

A pressão da opinião pública derrotou um ataque contra a liberdade da internet em 2009 e nós podemos fazer isso de novo! O projeto de lei tramita neste momento em três comissões da Câmara dos Deputados e esses políticos estão observando atentamente a reação da opinião pública nos dias que antecedem à grande votação. Agora é nossa chance de lançar um protesto nacional e forçá-los a proteger as liberdades da internet.

O Brasil tem mais de 75 milhões de internautas e se nos unirmos nossas vozes poderão ser ensurdecedoras. Envie uma mensagem agora mesmo às lideranças das comissões de Constituição e Justiça, Ciência e Tecnologia e Segurança Pública e depois divulgue a campanha entre seus amigos e familiares em todo o Brasil:

http://www.avaaz.org/po/save_brazils_internet/?vl

O projeto de lei do deputado Azeredo sobre a internet supostamente teria o objetivo de nos proteger contra fraudadores e hackers. Porém, como alguém que faz uma cirurgia com uma motosserra, as normas excessivamente cautelosas impostas pelo projeto de lei trariam altíssimos custos sem de fato cumprir seu objetivo. Em vez de capturar os verdadeiros criminosos, elas penalizariam todos nós. Por esse motivo, até mesmo o importante site anti-pedofilia, o SaferNet é contra o PL Azeredo.

Se esse projeto de lei for aprovado, nossa privacidade e liberdade de expressão, criação e acesso on-line ficarão gravemente limitadas. Pior que isso, os provedores de internet que mantêm informações detalhadas sobre nosso histórico de navegação na internet passarão a ser “policiais virtuais” monitorando os usuários a todo momento.

O projeto de lei tem circulado em Brasília por mais de uma década, e a pressão da opinião pública já o derrotou antes. Em 2009, uma consulta pública sobre o “Marco Civil da Internet” barrou o andamento do projeto. Mas alguns meses atrás, o deputado Azeredo tentou apressar a aprovação no Congresso, usando os ataques de crackers aos sites do governo como desculpa. Um novo Congresso e uma maior conscientização sobre as amplas implicações do projeto de lei significam que nossas vozes poderão fazer a diferença. Envie agora mesmo uma mensagem às lideranças na Câmara:

http://www.avaaz.org/po/save_brazils_internet/?vl

Infelizmente, o PL Azeredo não é a única lei desse tipo. Em todo o mundo, na Índia, Turquia, Estados Unidos e outros países, a liberdade da internet está sob ataque promovido por iniciativas similares. Mas os membros da Avaaz nesses países estão se mobilizando. Vamos fazer a nossa parte neste movimento popular global em defesa da web barrando o PL Azeredo.

Com esperança,

Emma, David, Ricken, Maria Paz, Giulia, Rewan e a equipe da Avaaz

FONTES:

Petição do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor, instituição parceira da Avaaz:
http://www.idec.org.br/campanhas/facadiferenca.aspx?idc=24

Liberdade de internautas no Brasil pode estar com os dias contados (Portal Imprensa):
http://portalimprensa.uol.com.br/noticias/brasil/43707/liberdade+de+internautas+no+brasil+pode+estar+com+os+dias+contados/

Entenda o que é o marco civil da internet (UOL):
http://tecnologia.uol.com.br/ultimas-noticias/redacao/2010/06/09/entenda-o-que-e-o-marco-civil-da-internet.jhtm

‘AI-5 digital’ volta a circular no Congresso (Rede Brasil Atual):
http://www.redebrasilatual.com.br/temas/tecnologia/2011/06/ai-5-digital-volta-a-circular-pelo-congresso

Depois da minha crise existencial, algumas soluções possíveis para essa loucura atual:

http://www.cidadedemocratica.org.br – Rede onde são discutidos problemas e soluções das cidades, localmente. Interessante, mas com poucos usuários da minha região (Rio de Janeiro), forte em São Paulo.

http://transitionbrasil.ning.com/- Tem o objetivo de criar cidades mais sustentáveis.

http://www.cidadessustentaveis.org.b – Vale checar a parte de boas práticas, ainda que a grande maioria tenha uma visão meramente econômica, sustentar o desenvolvimento insano que vivemos, é um início.

www.ted.com – Repensar, Refazer e Recriar com tecnologia, entretenimento e design.

www.tedxsudeste.com.br – Jabá.

http://www.tedxcidadededeus.com.br/ – Jabá (2). Em breve.

escoladeredes.ning.com – Somente conseguiremos a mudança pela rede.

Ainda acho que temos que fazer MUITO mais do que fazemos, principalmente executar o repensar de nossas ações, por que consumimos tanto? Em que momento perdemos nossa humanidade? Como recuperá-la? O que é realmente importante?

Confesso, este será um post desabafo, e seria maravilhoso se vocês lessem.

Ando traumatizado com a série de males que vêm aflingindo o mundo nas últimas semanas, não sei se estou lendo mais, passando por algum tipo de crise existencial ou se está tudo cagado mesmo.

Um jornal utiliza escutas ilegais para vender mais jornal (cujo produto é a fofoca, este jornal até então era o mais vendido da Inglaterra aos domingos), mercados são multados semanalmente por vender comida estragada, ministros enriquecem os filhos e continuam a fazer estradas medonhas, mantém as que matam e privatizam as outras, prefeitos aproveitam desastres naturais para enriquecer, o mundo vem sendo jogado numa crise por conta da irresponsabilidade de alguns, que só aumenta, casos demoram décadas para serem julgados, e quando o são, dão em nada ou em muito pouco. Aristóteles dizia que somente seríamos éticos se houvesse controle e legislação, partindo desse princípio, estamos mal.

Pobres são tratados como público-alvo e ponto, um público a ser atingido, assim poderiam manter o enriquecimento dos mais ricos. Vejo sistematicamente um jogo de empurra que termina numa ciclo vicioso – O mundo é ruim, não sou eu quem vou corrigir. Não penso em minhas ações pois dá trabalho e as outras pessoas também não pensam. Políticos são corruptos, qual a razão pela qual não posso subornar um policial? Outras pessoas pararam em local irregular, qual a razão pela qual também não posso parar? Pago muito imposto, qual a razão pela qual não sonegar? (essa geralmente vem acompanhada pela reclamação de mau uso do dinheiro pelo poder público, já que isso é mais fácil que fiscalizar e denunciar).

Não consigo sequer me revoltar, até pela razão de entender a revolta como a forma mais simples de não fazer nada. Discordo de passeatas na zona sul, bandeirinhas e símbolos na foto do facebook, ninguém faz nada que mude nada. A conscientização não vem com os movimentos.

Tudo que tento fazer para mudar é terminantemente desincentivado por pessoas “mais experientes”. Até que ponto elas estão erradas? Acho que só o tempo vai dizer, mas eu juro que mudo radicalmente ao sinal de que estou enxugando gelo.

Confesso que ando com vontade de virar hippie.

Quero um mundo melhor, não sei qual o melhor caminho para mudar e estou começando a achar que tudo isso que está aí vai dar merda e a única coisa que eu vou poder dizer é: eu avisei, pois não sinto que estou fazendo o suficiente para mudar, e me sinto tão hipócrita quanto os que acham que fazem.

Propostas?

Toda teoria é uma versão: cria-se uma hipótese e busca-se comprová-la, testando-a em um ambiente e sistema controlados. É assim nas ciências exatas, nas ciências naturais e nas ciências humanas. O cientista não descobre a verdade sobre o que observa: ele supõe uma explicação e a testa conforme alguns critérios, e essa versão ganha status de verdade até vir outra teoria que a ponha por terra e estabeleça seu lugar.

Tudo o que sabemos vem da experiência, mas ela não garante que as coisas não possam ser de outra maneira. Segundo o filósofo David Hume, mesmo que o sol tenha nascido todos os dias desde sempre, a ciência não pode garantir que ele nascerá amanhã. A teoria vem depois do fato, como tentativa de dominá-lo, mas o fato, a vida, excedem a teoria.

Isso tudo para dizer que não interessam as teorias científicas para tentar explicar o porquê da homossexualidade. Serão sempre versões, tentativas de comprovar hipóteses, mas nunca a verdade. A verdade é a própria vida, e na vida existem pessoas que gostam de outras do mesmo sexo. Seja por determinação de seus genes, seja por falta de amor, seja por excesso de amor, seja por convivência, seja por isolamento, seja por exemplo ou por falta de exemplo… seja simplesmente porque gostam. Não importa a teoria, importa a vida. E é assim que a vida é, e é assim que as pessoas se sentem felizes, e são elas, mais que a ciência ou deus ou os pais ou os amigos ou os inimigos ou as leis ou a sociedade, que podem saber o que as faz felizes e que escolhas vão fazer para buscar a felicidade.

Eu apoio toda e qualquer causa que permita às pessoas escolherem o que é melhor para elas e o que as faz feliz, principalmente quando sua felicidade não atrapalhar em nada, em absolutamente nada, a vida de outras pessoas. Deixem as pessoas escolherem a quem amar. Amem as pessoas mais que a “verdade”.

Alyne de Castro

Texto presente em http://www.brasil247.com.br/pt/247/ecologia/316/Quanto-voc%C3%AA-polui.htm

Gustavo Arnizaut

A sigla ppm significa partes por milhão, uma razão científica da química usada para traduzir o nível de concentração de substâncias tóxicas na atmosfera, rios e em outros ativos da natureza. O rol de contaminantes é extenso – gases que destroem a de camada ozônio estratosférico e que contribuem com o aquecimento global, o enxofre acumulado na poluição urbana, mercúrio concentrado nos leitos fluviais, entre tantas outras toxinas atiradas ao léu como subproduto do cotidiano da produção e do consumo.

Explicada a sigla, me pergunto: qual a sua parcela de culpa no desgaste diário que imputamos à natureza?

Pode-se dizer, sem muita ciência envolvida, que a nossa responsabilidade individual, ou mesmo a coletiva, seria, a grosso modo, inversamente proporcional à das grandes empresas . Estas sim, sem precisar investigar mais a fundo, são as grandes responsáveis pelo desgaste ambiental , em larga escala a que assistimos passivamente, sem percebermos.

Se calculássemos o ppm da poluição ambiental poderíamos inferir que: muitos geram pouca, e poucos geram muita, muita poluição.

Neste caso, os cidadãos comuns seriam os que geram a menor das partes desta poluição. Por sua vez, o parque industrial – o PIB nacional, incluindo os tecno-latifúndios – com suas espécies exóticas e rebanhos – entre outros algozes da natureza, seriam, portanto, as grandes partes contaminantes do milhão que respiramos e bebemos.

Trocadilhos de lado, esta coluna não sugere a absolvição dos pecados ambientais individuais e a isenção das respectivas responsabilidades coletivas do cidadão. Atitudes mais amistosas ao ambiente são necessárias para suavizar gradativamente os desgastes à natureza impingidos por nós diariamente.

Educar as gerações novas e também as já adultas de forma a sanar a inerte “inconsciência” ambiental requer uma ação de longo termo. Coisas do tipo: fomentar o transporte solidário, o uso da bicicleta, das lâmpadas eficientes; aposentar sacos plásticos, selecionar o lixo urbano; sugerir dietas sem carnes e fechar as torneiras em banhos a cada dia mais à jato. São sinais claros na busca de bem-estar e equilíbrio com o nosso meio.

Indiscutível é que a natureza absorve nossos consumos sem cobrar adiantado. Ela nos dá crédito rápido e fácil, nos inclui e traz satisfação, mas na hora de equalizar o débito contratado é implacável com os inadimplentes e descompromissados ambientais. Visto o acontecido nos últimos meses em enchentes nas regiões serranas do Rio e no sul do país, nos lixões que explodem barracos das favelas, entre tantas outras contas penduradas nas costas do meio ambiente e que ainda estão por caducar.

Sem apontar o indicador aos grandes poluidores, estender-lhes a mão não deixa de ser oportuno. A dizer: um gesto de inclusão ambiental.

Sustentabilidade significa acima de tudo estabelecer o uso racional em longo prazo dos ativos tomados como empréstimo da natureza sem custos aparentes, e que não exigem dos poluidores sistêmicos responsabilidades automáticas. Queiram ou não, a gestão sustentável dos ativos ambientais será fator decisivo no futuro para a competitividade das empresas e na decisão de compra dos consumidores.

Economia de baixo carbono e eficiência energética são os mottos do momento. Mas podem servir também de green washing da imagem corporativa e da atividade industrial que navega na peneira administrativa e regulatória públicas. Há bons exemplos corporativos neste Brasil que se antecipa às exigências ambientais – às vezes expressas em lei -, e que sem aprofundar nossas mazelas segue padrões produtivos cuidadosos, como os de primeiro mundo.

Mas há empresas envoltas por um manto de responsabilidade corporativa sócio-ambiental que se proliferam, enquanto as esferas fiscalizadoras do governo engatinham no estabelecimento de mecanismos de reciclagem e amortização de resíduos tóxicos, no monitoramento regular e de atividades poluentes, no estabelecimento de inventários reais e de marcos regulatórios eficazes, indignos daquela que será em breve a quinta economia do mundo, pelo menos em matéria de PIB.

Me esquivo hoje de apontar diretamente para os maus exemplos, esperando oportunidade melhor para tratar dos bons num futuro próximo. Tampouco não caio na esparrela de reproduzir as repetidas justificativas governamentais sobre as melhorias pontuais e intermitentes na gestão de nosso meio ambiente. Para não falar da cadência lenta da formulação de políticas que de tanto discutidas já nascem anacrônicas. Elas não acompanham a euforia dos anúncios da Fazenda ou do Planalto sobre os números da economia. Não na vida real, não no ambiente em que vivemos – seja rural, urbano ou nativo.

Mas a pergunta que insiste: das partes por milhão neste ambiente poluído, já percebeu qual é a sua e qual é a dos outros?

Gustavo Arnizaut é consultor internacional da UNEP e GTZ/Proklima para o Protocolo de Montreal nas áreas de comunicação e management

O sistema é foda

Eu já havia rascunhado esse post antes das tragédias que vêm acontecendo na ex-cidade maravilhosa, e vou aproveitar para comentar algumas coisas.

Primeiro comentário, a culpa nunca é nossa, já perceberam? Pessoas de origem humilde colocam a culpa no sistema (mesmo sendo eles que colocam o sistema lá), alguns membros da classe média culpam os viciados, que sustentam o tráfico, inegavelmente. Já membros da classe mais intelectualizada da sociedade batem na tecla Cristovam Buarque e brandam: – É a educação estúpido.

Antropólogos colocam a falta de incentivos e oportunidades aos jovens e os atrativos do tráfico como a principal razão, já os governantes culpam os traficantes pelas ações, já que o Estado vem sendo MUITO eficiente com 13 unidades pacificadoras e a transferência de meia dúzia de traficantes, revoltando estes queridos entes da sociedade por ter que pagar o DDD de dentro da prisão de segurança “máxima” e fazendo suas esposas e advogados gastarem com passagem aérea, mas não devem conhecer as promoções da embratel nem o site decolar.com, ou seja, talvez seja tudo um grande problema de comunicação.

Outros dizem que não, que a culpa é da corrupção, mesmo que quando sejam parados pela própria PM a quem criticam sejam os primeiros a corrompê-la para evitar uma multa maior, realmente, essa PM não tem jeito né?

Mas muitos já sabem a solução, é só ir para a zona sul, colocar camisas brancas e fazer passeata! PRONTO! resolveram nossos problemas! Nunca mais vai ter um João Hélio depois disso, vai acabar com o tráfico e o secretário de segurança vai ficar 3 dias sem dormir., mas só tem passeata se não tiver sol, senão é todo mundo pra praia!

Depois da passeata todos vão para suas casas, acendem seus baseados, brigam com seus filhos, fazem sua doação para o Teleton e podem dormir na zona sul pacificada.

Mas nossa polícia tem a solução, entrar nas favelas, matar alguns aviões do tráfico, que ganham menos que uma empregada doméstica, e dar o recado à sociedade, é o governo que toma conta! Pelo menos da zona sul e de quem quiser aparecer o suficiente para retirar alguns votos.

Aos que viram tropa de elite 2 sabem que a conclusão do filme é colocar a culpa no sistema, como li em algum lugar que não lembro, todos querem mudar o mundo, mas ninguém quer lavar a louça para a própria mãe.

Mas então só nos resta colocar a culpa no sistema, afinal o sistema é foda e a culpa nunca é nossa mesmo.

Porém para a Globo a crise já acabou, o poder público tomou a Vila Cruzeiro, vencemos! Podemos continuar vivendo nossas vidas ignorando a questão social, bom dia!

Isso tudo me lembra um post, um dos primeiros do blog que também foi pauta do meu discurso na formatura da pós graduação, nossa responsabilidade pessoal.

Escrevo esse post de casa, onde fiquei preso pela violência que hoje ocorre no rio de janeiro, não saí por medo, estamos todos vivenciando a realidade de quem mora numa favela, aliás, não vivenciamos, pois quem mora na favela, haja o que houver, tem que ir para o trabalho para não ser demitido pelo português dono da padaria, alguns de nós têm a opção de não ir trabalhar, apesar de tudo, somos privilegiados, bem vindos a São Sebastião do Rio de Janeiro.

O sistema continua lá, intacto, e o Tiririca estava errado, pior do que está, FICA!

Mas deixa eu fazer uma pergunta, você faz o que para mudar isso que aí está?

Atualização de post: Via blog Aventar (http://www.aventar.eu/2010/09/24/teresa-lewis-e-a-5%C2%AA-executada-nos-ultimos-14-dias-nos-estados-unidos/)

Teresa Lewis foi executada anteontem na Virginia. Com um QI baixíssimo, muito próximo do retardamento intelectual, dependente de drogas, viu os dois homens que a seu mando mataram o marido serem punidos com prisão perpétua, apesar de ter sido ela a conduzir a Polícia aos autores materiais do crime. Ficou provado que estava drogada na altura do crime e que não foi ela que o planejou.
Para Teresa Lewis, a primeira mulher a ser condenada naquele Estado desde 1912 e a quinta vítima da pena de morte nos Estados Unidos nos últimos 14 dias, não houve manifestações nem hipócritas vozes de protesto, que deviam corar de vergonha de cada vez que abrissem a boca para falar de Sakineh (cale-se de vez, pode ser?)
Entretanto, nos Estados Unidos, estão marcadas mais 10 execuções até ao dia 7 de Dezembro. A partir daí as execuções são interrompidas. Para as férias de Natal.

Antes de ler que fique claro, sou contra qualquer pena a qualquer crime que envolva dor ou morte.

O perigo da unanimidade.

“Toda unanimidade é burra” diriam 9 em cada 10 blogueiros ao tratar deste assunto, como eu me encaixo perfeitamente nos 90% os quais os outros 10% estariam criticando, vamos lá.

Toda unanimidade é burra. Fico preocupado toda vez que muita gente vai no mesmo sentido, é o chamado efeito manada, um formador de opinião discute algumas ideias, a mídia dá um peso maior a um lado da história, não conseguimos filtrar a quantidade de informações que recebemos, perdemos um pouco do nosso senso crítico e pronto! Temos uma unanimidade. Confesso que tenho uma queda pelo diferente e pelo crítico, então leve isso em conta ao ler o texto.  Aos leitores da veja recomendo que fiquem por aqui, o texto pode ser forte pro seu coração.

Uma dessas unanimidades atuais é a defesa à iraniana que vem sendo acusada de adultério e por conta disso teria sido também condenada à morte.

Uma informação que passa despercebida neste caso é que a iraniana é acusada também de planejar a morte do marido. Não vou entrar no mérito das questões serem verdadeiras ou não, pode ter havido pressão pela confissão, há indícios de tortura, dentre outros fatores, o que me assusta particularmente é o direcionamento explícito das matérias que vêm sendo veículadas para o crime de adultério e sua consequência, questionando leis centenárias e princípios religiosos de países que não são laicos. Escolhemos ser um país laico, ótimo! Fiquemos com nossa opção e respeitemos a alheia.

Como muito bem lembrou meu amigo Mauro Quintella em seu twitter as leis de direitos humanos (da  Assembléia Geral das Nações Unidas em 10 de dezembro de 1948, 3 anos após o fim da segunda grande guerra) são baseadas nas leis ocidentais, inspiradas em grande parte pelos vencedores das grandes guerras. Talvez se Alemanha, Japão e Itália tivessem ganhado a guerra teríamos direitos humanos (ou desumanos) completamente diferentes hoje. Mas, como diria Caetano, OU NÃO! O importante nesse caso é levar em consideração a formação em si dos direitos humanos para concluir o raciocínio.

Leva-se em consideração pela cultura ocidental em sua formação de opinião leis ocidentais, desconsidera-se que há leis naquele país que precisam ser respeitadas. Questiono ainda a razão pela qual não há tanto estardalhaço quando há pessoas no corredor da morte nos EUA, por exemplo, fica aqui um grande exemplo da nossa capacidade de medir dois pesos com duas diferente medidas.

Um exemplo, eu ficaria muito feliz se a comunidade oriental pedisse o apedrejamento do Sarney, do Collor, do Garotinho ou do Picciani, uma vez que a corrupção é crime imperdoável por aquelas bandas, ou ainda que houvessem diplomatas japoneses indignados com a desigualdade e condições de vida de nossas distintas comunidades carentes. Mas é improvável essa cena, já que o espaço diplomático e midiático destes países é muito diferente.

Vejo ainda uma vontade enorme de resolver os problemas alheios sem a mínima disposição para solucionar os de sua própria casa, bairro, cidade, estado ou país. É uma escola de Diogo Mainardi, a crítica por si só, a gritaria sem ação, a baixaria sem propostas, sinto isso quando vejo críticas aos gastos e à corrupção, mas nunca sequer tiveram a curiosidade de entrar no site www.transparencia.org.br/ , ler a Veja basta.

Mas esse pensamento todo começou visando concluir que fazemos isso o tempo todo em nossas vidas, quando fazemos gestão de projetos sociais tendemos a pensar que temos a solução de tudo, conhecemos o melhor caminho e fatalmente, no auge de nossa ignorância, subtraímos a sabedoria de um povo, somente por sua condição social. Não é diferente do que quando julgamos as leis de outro país sem conhecer minimamente sua realidade.

É comum ver empreendedores socias que não partem de um diagnóstico, mas sim de uma ideia, de uma revolta, de um impulso. A área social já está bem servida de revoltados, que venham os profissionais, aqueles que conseguem parar para pensar, que respeitam a opinião alheia e que focam nos resultados, não nas imagens de pessoas felizes.

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