Eu reparei, lendo os dois últimos (e primeiros) posts que eu vinha jogando a culpa sobre o caminho que a administração vem tomando nas empresas. Mas do que são feitas as empresas? Pessoas! Dessa forma, acho que já cabia uma analise do quanto e nossa culpa sobre o rumo que as organizações tomaram.

Sou administrador por formação, ouvi durante os quatro longos anos de faculdade que as empresas têm que maximizar o lucro, dar retorno aos acionistas, demitir aqueles que não dessem o retorno esperado. Nada de triple bottom line, públicos de interesse, responsabilidade social, nada disso. E não faz tanto tempo assim, me formei em dezembro de 2007.

Vou ainda mais longe, minhas provas no colégio eram SEMPRE individuais, nunca em grupo, e ai de quem olhasse pro lado. Poucos anos depois leio sobre crowdsourcing, trabalho em equipe, cooperação, coopetição (cooperamos e competimos no mesmo mercado), isso nunca fez parte das nossas vidas, porém, vejo um movimento de mudança, um sinal dessa mudança é o número de universitários me solicitando ajuda nas matérias de responsabilidade social das suas faculdades, anos atrás isso não existia, no máximo como matéria optativa.

O mundo vive uma crise ética, bancos, governos, empresas, ONGs passam por um crivo cada vez maior da sociedade. Tribunal de contas da união, instituto ethos, transparência Brasil, são sintomas da necessidade de um mundo mais ético e transparente. Mas voltando ao assunto proposto, quem erra são robôs? Não! São pessoas! Seres humanos estão (constantemente) sujeitos ao erro, surge daí a demanda por instrumentos de controle e transparência. Estamos todos sujeitos a desvios éticos, isso depende de diversos fatores como oportunidade, experiência de vida, autoconsciência, orientação, entre outros.

Mas isso tudo não justifica nenhum tipo de ação antiética. Temos nosso papel se queremos uma nova administração, não podemos ver algo errado e ficar calados, não podemos colocar nossas necessidades a frente das necessidades coletivas, competir de maneira desleal, mentir, pensar que seu sucesso e mais importante que o sucesso coletivo, enfim, agir de maneira egoísta se queremos uma gestão mais social. De um erro de comunicação pode nascer um conflito, de uma interpretação errada brota a discórdia.

Sermos pacientes, pensar sobre nossas ações antes de fazer e tentar entender o próximo são ações que podem tornar nossos dias e nossas empresas melhores. O sucesso do coletivo é seu sucesso! Vamos vencer nossos egos, nossa criação, nossos pensamentos ruins e pensar em melhorar enquanto pessoas, isso é melhoria contínua, isso é administração.

Encerro o post com uma fala de Augusto de Franco no seu twitter @augustodefranco “Se para ter sucesso alguém tem que se destacar, se afastar do semelhante em vez de se aproximar, então se desumaniza”.

Sucesso, para mim é realizar aquilo que é esperado de você, ou até mais, buscar sempre melhorar, evoluir aceitando criticas, ajudar ao próximo, identificar melhorias, fazer em prol do coletivo, afinal, a culpa também é sua!