Felicidade Interna Bruta
Acredito que você que está lendo já tenha tido a sensação de estar no lugar errado, de estar perdendo tempo da sua vida em uma empresa.
Talvez já tenha se sentido como eu, em situações que lhe pareciam impostas por uma realidade que não era sua.
Acredito que isso aconteça em nossas vidas muito mais do que percebemos, isso, pois nos foi passado um conceito de felicidade e sucesso que não condiz com a nossa natureza, e quem vos fala é um administrador. Quero deixar bem claro que adoro o mundo empresarial, gosto do jogo de empresas, sou apaixonado por marketing e estou bem mais próximo do capitalismo do que do socialismo, reconheço as vantagens da meritocracia, gestão, PDCA e outras ferramentas, mas acho que nos perdemos em algum momento.
Concordo em grande parte com a escola americana de administração, seguida pelas empresas brasileiras de forma quase cega. Eis que uma contestação de 1972, feita pelo rei do Butão (!?!?) me abre os olhos. Faço aqui um agradecimento à internet, certamente eu jamais teria acesso a esse tipo de informação sem ela.
Esse rei, chamado Jigme Singye Wangchuck ao ser questionado sobre o crescimento ínfimo do seu país (pelos critérios internacionais) criou o termo FIB, Felicidade Interna Bruta, o conceito de FIB baseia-se no princípio de que o verdadeiro desenvolvimento de uma sociedade humana surge quando o desenvolvimento espiritual e o desenvolvimento material são simultâneos, assim se complementando e reforçando mutuamente.
Os quatro pilares da FIB são a promoção de um desenvolvimento socio-econômico sustentável e IGUALITÁRIO, a preservação e a promoção dos valores CULTURAIS, a conservação do MEIO-AMBIENTE natural e o estabelecimento de uma boa GOVERNANÇA. Você, leitor, já viu conceito parecido em algum lugar? Parece-me muito com um conceito chamado de Responsabilidade Social. Os valores pregados pelo conceito são: padrão de vida, saúde, educação, resiliência ecológica, bem-estar psicológico, diversidade cultural, uso equilibrado do tempo, boa governança e vitalidade comunitária.
A busca pela felicidade é um direito previsto em constituições de vários países do mundo, defendida por Aristóteles, e como bem lembra Susan Andrews em matéria da revista época as pesquisas mostram que, após certo nível de renda, o aumento da riqueza não conduz a um correspondente a um aumento da felicidade. Ela não cita quais são as pesquisas, mas não precisamos ir longe para chegar a essa conclusão.
Enfim, segundo o conceito de FIB, com o qual concordo, existem diversas outras questões que influenciam sua satisfação, o dinheiro é uma questão fundamental, mas não é a única.
Saiba mais sobre o FIB em http://www.felicidadeinternabruta.org.br/
Se sua empresa acha que isso é um problema apenas do terceiro setor, pense em quantos executivos pedem demissão para começar novos negócios, vejo o caso de Barnardo Faria, ex-executivo do banco Santander e que deixou o cargo para tornar-se CEO do projeto CDI-Lan, da Ong CDI. Veja os jovens que deixam empresas para se dedicar a projetos sociais, veja outros fatores que as pessoas estão levando em consideração ao tomar uma escolha de carreira. Acredite, não é só o lucro que importa. Se você é do mundo empresarial, pese o quanto isso pode acarretar para sua empresa em termos de absenteísmo, rotatividade, gestão do conhecimento, gestão de carreira, clima organizacional, retenção de talentos dentre outros fatores, pode acreditar, isso também é um problema da sua empresa.
Quais são as conseqüências imediatas da disseminação desse conceito? Necessidade de mudança nas políticas de RH, novas estratégias empresariais que busquem não somente o lucro, novos ativos intangíveis e nova relação com colaboradores e públicos de interesse, ninguém agüenta ritmo de guerra contra companheiros de trabalho, fornecedores e outros públicos de interesse, nosso corpo tem um limite.
Agora é o mundo seguindo o Butão, bem-vindo a um novo mundo.
