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Empreendedorismo social

Voltando às atividades no blog! Queria falar sobre empreendedorismo social, li recentemente um livro de Edson Marques Oliveira, que é assistente social de formação mas que transita muito bem na área de gestão.

O livro discorre sobre empreendedores sociais que fizeram sucesso e mudaram a maneira das pessoas enxergarem as ações sociais.

Segundo a fundação Schwab, empreendedor social é aquele que promove mudanças que servem à comunidade por meio da identificação de novos processos, serviços e produtos, criando formas de sustentabilidade e replicabilidade da solução e/ou atividade encontrada.

Edson argumenta de maneira excelente e nos mostra que os problemas do país são sempre aqueles que mais nos afligem. Um exemplo, citando o caso do próprio Rio de Janeiro é que aqui o maior problema indicado é a seguranças, mas esse não é necessariamente uma questão nacional.

Partindo desse princípio promove medidas que vão do diagnóstico, passam pelo plano de ação e pela melhoria contínua e avaliação para resolver problemas sociais.

Dessa forma indica a importância em ter um tratamento profissional e não assistencialista no tratamento de mazelas sociais, isso se torna necessário com o crescimento das ong´s, aumento da participação de empresas na questão social e a importância desse aumento ser desvinculado da filantropia e assistencialismo.

É importante também o papel do escritor ao fundamentar a importância do terceiro setor para a melhoria da questão social, citando outros autores quando indica que a fórmula na qual era indicado que era necessário antes fazer o bolo crescer para então repartir provadamente não funcionou.

Indica ainda que os problemas sociais que vêm sendo combatidos de forma mais efetiva envolvem profissionalismo, inovação, criatividade e eficiência nos gastos, citando principalmente o CDI e realizando ainda um estudo de caso sobre a instituição Lua Nova, que inovou no trato a dependentes químicos e a Ashoka, que premia e incentiva a formação de empreendedores sociais.

O autor explica o crescimento do terceiro setor, o defende e indica caminhos para sua melhoria

Gostei também da abordagem do autor quanto ao combate aos catedráticos da Academia que insistem em não descer de seus pedestais para entender o que realmente há no mundo, insistindo em se esconder atrás de livros, somente por essa passagem o autor já ganhou minha simpatia. Nesse sentido critica membros da academia na área de assistência social que insistem em teorias marxistas sem provar uma metodologia mais efetiva que a atual de combate à pobreza.

O autor constroi alguns quadros com características de empreendedores sociais como criatividade, amor pela causa, visão de futuro, não desistir frente às situações, entre outros. Mas a esse ponto faço uma ressalva e anexo um pedido de Augusto de Franco realizado por meio de seu twitter – Se você quer ficar rico faça seus produtos e venda, mas não se disfarce de ong para isso.

O livro é técnico e fruto de um doutorado em serviço social, utiliza a estrutura acadêmica de citações e de busca de autores que corroborem seu estudo, o que pode não ser muito atrativo em um primeiro momento, mas é leitura obrigatória àqueles que pretendem, assim como eu, tornarem-se empreendedores sociais.

Aos que quiserem saber mais: Empreendedorismo Social de Edson Marques Oliveira, Ed. Qualitymark

Voluntariado

O tema de hoje é voluntariado e alguém pode perguntar, o que isso tem a ver com gestão? TUDO!

Um exemplo de voluntariado MUITO bem sucedido foi o TEDxSudeste, evento que tive o prazer de organizar junto a pessoas maravilhosas. A partir de um sonho, um grupo se uniu e trabalhou meses a fio em torno de um objetivo: espalhar boas ideias! E espalhamos. E desse evento nasce esse blog, pois a partir dele percebi que um novo tipo de gestão é possível, nele não tínhamos chefe, respeitávamos as opiniões alheias, brigávamos sempre para chegar ao melhor resultado, nunca para passar por cima de ninguém, trabalhávamos em rede e buscando o sucesso coletivo, não, apenas, o sucesso pessoal. Ah, se nossas empresas fossem assim! Muitas vezes me pergunto em que ponto de nossas vidas perdemos esse sentimento quase infantil, o prazer em trabalhar! Só consigo enxergar esse tipo de atitude em startups, entendo que a razão para isso seja a proximidade de quem realmente vive a empresa, quanto mais essa proximidade é perdida, menor a motivação, por uma simples razão, você não se sente a diferença, sente-se apenas como mais um dentro da engrenagem.

Me questiono ainda o que nos levou a investir finais de semana, feriados e madrugadas naquele evento, sem meias palavras, por trás disso, em cada um está um desejo de crescimento profissional, a oportunidade de conhecer pessoas incríveis e representar um grande evento, mas por trás disso tudo havia um desejo enorme de causar mudança, inspirar, criar pontes e fazer a diferença, em um mundo onde 95% das pessoas vieram para ser decoração. Se eu ainda posso ganhar com isso, qual é o mal? Então, encontre você também sua razão para fazer algo muito bom, e simplesmente faça! Se você não faz parte da solução, então você faz parte do problema.

Isso é o que vejo movendo empresas para a responsabilidade social, e defendo que não é ruim, seja pela concorrência, pela vontade dos acionistas, pela pressão da sociedade, há a necessidade de uma gestão mais humana.

Lembro do Gil Giardelli me perguntando logo após o TEDxSudeste se eu estava pronto para voltar à Petrobras, respondi de bate-pronto que sim, mas eu não estava. Sou outra pessoa depois dali, a convivência com pessoas incríveis faz você acreditar que também pode ser incrível um dia! O voluntariado causa isso em você, é algo inexplicável, que só quem passou sabe o que é!

Como resolver essa questão de não conseguir ser voluntário dentro das empresa na qual você trabalha e que te paga para isso? Trazendo as pessoas para a realidade das empresas, tornando as decisões coletivas, as estratégias compartilhadas, a remuneração, compartilhada de maneira mais justa e igualitária.

Assisti a um documentário sobre a google na qual dizia que a empresa tem sua remuneração variável atrelada à avaliação que seus pares fazem sobre você, isso inclui sua simpatia e disponibilidade para ajudar. Se a ideia for realmente colocada em prática em toda a empresa, é simplesmente genial.  Isso significa que se você se comporta como um voluntário na google, isso simplesmente melhora sua remuneração, é um círculo virtuoso.

Creio que as organizações não devem mais procurar funcionários, colaboradores ou seja lá qual for a palavra da moda, deve procurar voluntários! Pessoas que se perguntem – Eu faria o que eu faço de graça? E respondam – Sim!

Este post é uma homenagem aos amigos voluntários do TEDxSudeste.

Creio que sempre deveríamos nos perguntar – Eu seria voluntário aqui?

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