É com prazer que anuncio a primeira convidada a fazer parte deste blog!
Minha amiga e também organizadora do TEDxSudeste, Elis Monteiro!
Deliciem-se com esse maravilhoso texto feito especialmente para o Gestão Social.
Elis Monteiro é jornalista especializada em Tecnologia, Telecomunicações e Cultura Digital. Foi repórter durante 13 anos de grandes jornais do país, passou por organizações do terceiro setor e atualmente é consultora de Cultura Digital, além de colunista de veículos online e blogueira. Também ministra cursos na área de Redes Sociais. Fez parte da organização do evento TEDxSudeste, não é da Geração Y mas também não faz parte da classe dos “imigrantes digitais”. Acredita no potencial da internet como difusora do conhecimento e quer ajudar o mundo a valorizar as individualidades e, as empresas, a pensar na tecnologia como forma de mudar suas políticas de gestão de pessoas.
Choque de geração na gestão das empresas
Elis Monteiro
Dizer que está havendo um choque de gerações, causado principalmente pela internet, é chover no molhado – todo mundo já sabe disso. Da mesma forma, é desnecessário afirmar que a Geração Y, aquela que nasceu depois do surgimento da era digital, pensa e age de forma diferente, simplesmente porque domina as novas tecnologias e pode, assim, se posicionar quilômetros à frente dos tais “imigrantes digitais”, figuras que estão aprendendo a lidar com as novidades e têm dois destinos a seguir: ou se adequam a elas ou se recolhem e se tornam eremitas.
O problema é que, pensando no mercado de trabalho, é impossível, hoje, permanecer na classe dos “eremitas” e mesmo assim manter-se num patamar consistente de competitividade. O mundo já fala outro idioma, o internetês. E este traz, a reboque, variantes, dialetos como o Twittês, o facebookês, o orkutês. Impossível ficar de fora.
Pior do que o choque de gerações, no entanto, é a criação, por parte dos adeptos do modelo tradicional – o já chamado “velho mundo” – de uma espécie de apartheid que visa a garantir a subsistência de um modelo que mais dia menos dia vai morrer. É inexorável – a tecnologia é avassaladora e não há quem possa controlar esta onda, e olha que já tentaram e não foi pouco.
O tal “velho mundo”, com as barbas de molho, tenta manter-se afastado das benesses da sociedade digital. Até chega a anunciar que precisa e deve fazer parte (nem que seja pequena porcentagem) da nova realidade na qual todo mundo é gerador de conteúdo em potencial. Os neanderthais remanescentes da classe dos “desplugados” classificam os “digitais”, chegam a colocar letras escarlates coladas no peito destes, mas sabem que em algum momento o mundo dos dois acabará se cruzando. Desde, claro, que a “segunda classe, a emergente” não atinja nem sacuda o status quo: não quebre as regras, não invada aquele território sagrado aonde reinam ainda as velhas hierarquias e práticas obsoletas como a exigência de se bater continência à personalidade e não ao resultado alcançado pelo trabalho bem executado.
Tais ancestrais ainda não entenderam que o modelo Google não se limita apenas à forma como se ganha dinheiro na internet – usando a publicidade e mantendo os usuários livres de cobrança pelos serviços. O Google também apresentou ao mundo um novo modelo de gestão no qual as diferenças são respeitadas, assim como as individualidades. As pessoas são seres humanos com necessidades físicas e emocionais, não apenas números no pelotão, preparados para receber ordens do comandante e cumpri-las sem pestanejar.
A boa notícia, pelo menos para quem é simpático aos novos modelos de gestão, é que o modelo hierarquizado, com burocracia enraizada, está com os dias contatos – ou as empresas e organizações mudam seus conceitos, de dentro para fora, ou serão engolidas (de fato) por companhias que já aderiram às formas horizontais de trabalho, baseadas na colaboração, no brainstorming, na valorização do trabalho, na dinamização dos processos depois de desburocratizada a máquina. Chefe que grita, que bate na mesa, que detesta comunicação e, sobretudo, que refuta o frescor das ideias oriundas do novo mundo, tem tudo para ficar falando sozinho, lembrando-se do tempo em que mandar era o único verbo presente na gramática das organizações – e obedecer (sem contestar), a única saída para os comandados.
Hoje, o vernáculo das organizações já está aceitando, num processo natural, verbos bem mais simpáticos, tais como colaborar, participar, unir, criar, elogiar, valorizar e, sobretudo, amar. Por que não? O amor está na moda, só não percebeu quem não quer.
