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Texto presente em http://www.brasil247.com.br/pt/247/ecologia/316/Quanto-voc%C3%AA-polui.htm

Gustavo Arnizaut

A sigla ppm significa partes por milhão, uma razão científica da química usada para traduzir o nível de concentração de substâncias tóxicas na atmosfera, rios e em outros ativos da natureza. O rol de contaminantes é extenso – gases que destroem a de camada ozônio estratosférico e que contribuem com o aquecimento global, o enxofre acumulado na poluição urbana, mercúrio concentrado nos leitos fluviais, entre tantas outras toxinas atiradas ao léu como subproduto do cotidiano da produção e do consumo.

Explicada a sigla, me pergunto: qual a sua parcela de culpa no desgaste diário que imputamos à natureza?

Pode-se dizer, sem muita ciência envolvida, que a nossa responsabilidade individual, ou mesmo a coletiva, seria, a grosso modo, inversamente proporcional à das grandes empresas . Estas sim, sem precisar investigar mais a fundo, são as grandes responsáveis pelo desgaste ambiental , em larga escala a que assistimos passivamente, sem percebermos.

Se calculássemos o ppm da poluição ambiental poderíamos inferir que: muitos geram pouca, e poucos geram muita, muita poluição.

Neste caso, os cidadãos comuns seriam os que geram a menor das partes desta poluição. Por sua vez, o parque industrial – o PIB nacional, incluindo os tecno-latifúndios – com suas espécies exóticas e rebanhos – entre outros algozes da natureza, seriam, portanto, as grandes partes contaminantes do milhão que respiramos e bebemos.

Trocadilhos de lado, esta coluna não sugere a absolvição dos pecados ambientais individuais e a isenção das respectivas responsabilidades coletivas do cidadão. Atitudes mais amistosas ao ambiente são necessárias para suavizar gradativamente os desgastes à natureza impingidos por nós diariamente.

Educar as gerações novas e também as já adultas de forma a sanar a inerte “inconsciência” ambiental requer uma ação de longo termo. Coisas do tipo: fomentar o transporte solidário, o uso da bicicleta, das lâmpadas eficientes; aposentar sacos plásticos, selecionar o lixo urbano; sugerir dietas sem carnes e fechar as torneiras em banhos a cada dia mais à jato. São sinais claros na busca de bem-estar e equilíbrio com o nosso meio.

Indiscutível é que a natureza absorve nossos consumos sem cobrar adiantado. Ela nos dá crédito rápido e fácil, nos inclui e traz satisfação, mas na hora de equalizar o débito contratado é implacável com os inadimplentes e descompromissados ambientais. Visto o acontecido nos últimos meses em enchentes nas regiões serranas do Rio e no sul do país, nos lixões que explodem barracos das favelas, entre tantas outras contas penduradas nas costas do meio ambiente e que ainda estão por caducar.

Sem apontar o indicador aos grandes poluidores, estender-lhes a mão não deixa de ser oportuno. A dizer: um gesto de inclusão ambiental.

Sustentabilidade significa acima de tudo estabelecer o uso racional em longo prazo dos ativos tomados como empréstimo da natureza sem custos aparentes, e que não exigem dos poluidores sistêmicos responsabilidades automáticas. Queiram ou não, a gestão sustentável dos ativos ambientais será fator decisivo no futuro para a competitividade das empresas e na decisão de compra dos consumidores.

Economia de baixo carbono e eficiência energética são os mottos do momento. Mas podem servir também de green washing da imagem corporativa e da atividade industrial que navega na peneira administrativa e regulatória públicas. Há bons exemplos corporativos neste Brasil que se antecipa às exigências ambientais – às vezes expressas em lei -, e que sem aprofundar nossas mazelas segue padrões produtivos cuidadosos, como os de primeiro mundo.

Mas há empresas envoltas por um manto de responsabilidade corporativa sócio-ambiental que se proliferam, enquanto as esferas fiscalizadoras do governo engatinham no estabelecimento de mecanismos de reciclagem e amortização de resíduos tóxicos, no monitoramento regular e de atividades poluentes, no estabelecimento de inventários reais e de marcos regulatórios eficazes, indignos daquela que será em breve a quinta economia do mundo, pelo menos em matéria de PIB.

Me esquivo hoje de apontar diretamente para os maus exemplos, esperando oportunidade melhor para tratar dos bons num futuro próximo. Tampouco não caio na esparrela de reproduzir as repetidas justificativas governamentais sobre as melhorias pontuais e intermitentes na gestão de nosso meio ambiente. Para não falar da cadência lenta da formulação de políticas que de tanto discutidas já nascem anacrônicas. Elas não acompanham a euforia dos anúncios da Fazenda ou do Planalto sobre os números da economia. Não na vida real, não no ambiente em que vivemos – seja rural, urbano ou nativo.

Mas a pergunta que insiste: das partes por milhão neste ambiente poluído, já percebeu qual é a sua e qual é a dos outros?

Gustavo Arnizaut é consultor internacional da UNEP e GTZ/Proklima para o Protocolo de Montreal nas áreas de comunicação e management

Socialwashing

Bem, o termo oficialmente não existe, então vocês estão vendo um neologismo em primeira mão!

Bem, o termo que estou criando agora advém do greenwashing, que segundo a wikipedia “é um termo utilizado para designar um procedimento de marketing utilizado por uma organização (empresa, governo, etc) com o objetivo de dar à opinião pública uma imagem ecologicamente responsável dos seus serviços ou produtos, ou mesmo da própria organização. Neste caso, a organização tem, porém, uma atuação contrária aos interesses e bens ambientais.”

Apesar do termo não existir (até agora) farei uma breve ligação entre os dois, vou criar o conceito a partir da construção acima, então ficamos assim:

“Socialwashing é quando a empresa prega ter ações socialmente responsáveis, utiliza isso como posicionamento de marketing, faz propaganda, porém não se compromete com resultados,  as ações não geram saída para projetos sociais, age de forma antiquada com seu público interno, se diz socialmente responsável, porém apenas cumpre as leis, o que é seu dever ou investe muito mais para divulgar uma ação social do que com a ação propriamente dita”

Logo me vem à cabeça o caso da Souza Cruz, vi em bares mais de uma vez que a empresa se declarava socialmente responsável por não apoiar a venda de cigarros a menores de 18 anos.  Mas se há uma lei que proíbe a venda de cigarros para menores de 18 anos eu recomendaria que a empresa econonomizasse a tinta, o adesivo e minha paciência.

Um caso que pode não ser unanimidade é o projeto de pintar favelas das Tintas Coral, até apontado pelo Trendwatching como um bom projeto, mas eu pergunto até que ponto isso muda a realidade de uma comunidade carente? Acredito que o retorno de imagem seja muito maior do que o custo com a tinta cedida, apesar de ser uma atitude de altruísmo estrito, onde poucos ganham e ninguém perde, discordo do investimento feito para divulgar a ação, constantemente nos intervalos de TVs em novelas e jogos de futebol, em uma matemática simples concluímos que o investimento em marketing foi MUITO maior que o investimento social realizado.

Outro caso curioso que me vem à mente é essa nova Coca-Cola plus, lembro de um tweet do @RafinhaBastos questionando que se agora que temos uma Coca-Cola rica em vitaminas, só faltaria o cigarro que curaria o câncer! Quer dizer que darei Coca-Cola para meus filhos quando tiverem carência de vitaminas? Nada contra agregar vitaminas em um produto, mas quando o mesmo é claramente nocivo quando consumido em excesso (como quase tudo nessa vida) isso pode deixar a consciência das pessoas mais leve e incentivar o consumo de modo excessivo.

Enfim, criar uma demanda a partir de uma ação moralmente questionável é por si só algo repreensível. Então, nasce aqui uma nova categoria neste blog, a de socialwashing.

Conhecem outros casos de socialwashing? Comentem!

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