Atualização de post: Via blog Aventar (http://www.aventar.eu/2010/09/24/teresa-lewis-e-a-5%C2%AA-executada-nos-ultimos-14-dias-nos-estados-unidos/)

Teresa Lewis foi executada anteontem na Virginia. Com um QI baixíssimo, muito próximo do retardamento intelectual, dependente de drogas, viu os dois homens que a seu mando mataram o marido serem punidos com prisão perpétua, apesar de ter sido ela a conduzir a Polícia aos autores materiais do crime. Ficou provado que estava drogada na altura do crime e que não foi ela que o planejou.
Para Teresa Lewis, a primeira mulher a ser condenada naquele Estado desde 1912 e a quinta vítima da pena de morte nos Estados Unidos nos últimos 14 dias, não houve manifestações nem hipócritas vozes de protesto, que deviam corar de vergonha de cada vez que abrissem a boca para falar de Sakineh (cale-se de vez, pode ser?)
Entretanto, nos Estados Unidos, estão marcadas mais 10 execuções até ao dia 7 de Dezembro. A partir daí as execuções são interrompidas. Para as férias de Natal.

Antes de ler que fique claro, sou contra qualquer pena a qualquer crime que envolva dor ou morte.

O perigo da unanimidade.

“Toda unanimidade é burra” diriam 9 em cada 10 blogueiros ao tratar deste assunto, como eu me encaixo perfeitamente nos 90% os quais os outros 10% estariam criticando, vamos lá.

Toda unanimidade é burra. Fico preocupado toda vez que muita gente vai no mesmo sentido, é o chamado efeito manada, um formador de opinião discute algumas ideias, a mídia dá um peso maior a um lado da história, não conseguimos filtrar a quantidade de informações que recebemos, perdemos um pouco do nosso senso crítico e pronto! Temos uma unanimidade. Confesso que tenho uma queda pelo diferente e pelo crítico, então leve isso em conta ao ler o texto.  Aos leitores da veja recomendo que fiquem por aqui, o texto pode ser forte pro seu coração.

Uma dessas unanimidades atuais é a defesa à iraniana que vem sendo acusada de adultério e por conta disso teria sido também condenada à morte.

Uma informação que passa despercebida neste caso é que a iraniana é acusada também de planejar a morte do marido. Não vou entrar no mérito das questões serem verdadeiras ou não, pode ter havido pressão pela confissão, há indícios de tortura, dentre outros fatores, o que me assusta particularmente é o direcionamento explícito das matérias que vêm sendo veículadas para o crime de adultério e sua consequência, questionando leis centenárias e princípios religiosos de países que não são laicos. Escolhemos ser um país laico, ótimo! Fiquemos com nossa opção e respeitemos a alheia.

Como muito bem lembrou meu amigo Mauro Quintella em seu twitter as leis de direitos humanos (da  Assembléia Geral das Nações Unidas em 10 de dezembro de 1948, 3 anos após o fim da segunda grande guerra) são baseadas nas leis ocidentais, inspiradas em grande parte pelos vencedores das grandes guerras. Talvez se Alemanha, Japão e Itália tivessem ganhado a guerra teríamos direitos humanos (ou desumanos) completamente diferentes hoje. Mas, como diria Caetano, OU NÃO! O importante nesse caso é levar em consideração a formação em si dos direitos humanos para concluir o raciocínio.

Leva-se em consideração pela cultura ocidental em sua formação de opinião leis ocidentais, desconsidera-se que há leis naquele país que precisam ser respeitadas. Questiono ainda a razão pela qual não há tanto estardalhaço quando há pessoas no corredor da morte nos EUA, por exemplo, fica aqui um grande exemplo da nossa capacidade de medir dois pesos com duas diferente medidas.

Um exemplo, eu ficaria muito feliz se a comunidade oriental pedisse o apedrejamento do Sarney, do Collor, do Garotinho ou do Picciani, uma vez que a corrupção é crime imperdoável por aquelas bandas, ou ainda que houvessem diplomatas japoneses indignados com a desigualdade e condições de vida de nossas distintas comunidades carentes. Mas é improvável essa cena, já que o espaço diplomático e midiático destes países é muito diferente.

Vejo ainda uma vontade enorme de resolver os problemas alheios sem a mínima disposição para solucionar os de sua própria casa, bairro, cidade, estado ou país. É uma escola de Diogo Mainardi, a crítica por si só, a gritaria sem ação, a baixaria sem propostas, sinto isso quando vejo críticas aos gastos e à corrupção, mas nunca sequer tiveram a curiosidade de entrar no site www.transparencia.org.br/ , ler a Veja basta.

Mas esse pensamento todo começou visando concluir que fazemos isso o tempo todo em nossas vidas, quando fazemos gestão de projetos sociais tendemos a pensar que temos a solução de tudo, conhecemos o melhor caminho e fatalmente, no auge de nossa ignorância, subtraímos a sabedoria de um povo, somente por sua condição social. Não é diferente do que quando julgamos as leis de outro país sem conhecer minimamente sua realidade.

É comum ver empreendedores socias que não partem de um diagnóstico, mas sim de uma ideia, de uma revolta, de um impulso. A área social já está bem servida de revoltados, que venham os profissionais, aqueles que conseguem parar para pensar, que respeitam a opinião alheia e que focam nos resultados, não nas imagens de pessoas felizes.